Nunca tivemos tantos dados disponíveis para compreender um negócio, estudar um mercado ou tomar decisões. Ainda assim, é frequente assistir a apresentações com dezenas de gráficos e tabelas e chegar ao final com uma pergunta: afinal, o que é que estes números nos estão a dizer?
Ter acesso à informação não significa conseguir comunicá-la.
É aqui que entra o Data Storytelling, uma abordagem que combina dados, narrativa e comunicação visual para transformar informação complexa em mensagens claras, relevantes e sustentadas por evidências.
Porque, numa apresentação, tão importante como mostrar os dados é ajudar a audiência a perceber porque é que eles importam.
O que é Data Storytelling?
Data Storytelling é a capacidade de organizar e comunicar dados através de uma narrativa que facilita a sua interpretação.
Imagine que uma empresa apresenta um crescimento de faturação de 12%.
O número parece positivo. Mas será que é?
Se o objetivo era crescer 20%, o resultado pode representar um desvio importante. Se o mercado cresceu apenas 3%, poderá indicar um desempenho competitivo relevante. E se a faturação aumentou, mas a margem diminuiu, a conclusão será outra.
O mesmo indicador pode contar histórias diferentes, dependendo do contexto.
O Data Storytelling ajuda a identificar o que os dados realmente revelam, estabelecer relações entre as informações e comunicar conclusões que façam sentido para a audiência.
Não se trata de tornar os números mais impressionantes. Trata-se de os tornar mais compreensíveis.
1. Antes de escolher um gráfico, perceba porque quer mostrar aqueles dados
Este é talvez o princípio mais importante de uma boa apresentação de dados.
Muitas apresentações começam pela informação disponível: relatórios, indicadores, tabelas e gráficos que alguém considera relevantes.
Mas o ponto de partida deveria ser outro.
O que queremos que a audiência compreenda?
Numa apresentação comercial, os dados podem ajudar a demonstrar uma oportunidade de mercado ou a relevância de uma solução.
Numa apresentação de resultados, podem explicar o desempenho do negócio e identificar prioridades.
Na apresentação de um estudo, podem revelar tendências, comportamentos ou conclusões relevantes para a sociedade ou para um determinado setor.
Em cada contexto, a informação tem uma função diferente.
É por isso que selecionar dados não significa apenas escolher os indicadores mais interessantes. Significa perceber quais contribuem verdadeiramente para a mensagem que queremos comunicar.
2. Transforme informação em conclusões
Um dos erros mais comuns é apresentar gráficos e esperar que a audiência identifique, sozinha, o que deve retirar deles.
Imagine uma empresa com os seguintes resultados:
| Região | Crescimento das vendas |
| Norte | +12% |
| Centro | +3% |
| Lisboa | +15% |
| Sul | -4% |
A tabela apresenta informação. Mas qual é a mensagem?
Uma possibilidade seria:
«Lisboa e Norte lideram o crescimento, enquanto o desempenho do Sul exige atenção.»
Esta frase orienta a interpretação dos dados e ajuda a identificar o que merece ser discutido.
O mesmo princípio aplica-se aos títulos dos slides.
Em vez de escrever «Evolução das vendas por região», podemos utilizar um título que comunique a principal conclusão.
Naturalmente, todas as afirmações devem ser sustentadas pela informação disponível. O objetivo é facilitar a interpretação, nunca forçar uma conclusão que os dados não permitem retirar.
3. Organize os dados numa narrativa que faça sentido
Uma apresentação de resultados não precisa de seguir a estrutura de um relatório ou de um dashboard.
Pode ser muito mais eficaz organizar a informação de acordo com o raciocínio que queremos construir.
Por exemplo, numa apresentação trimestral à administração, podemos começar pela principal conclusão:
«A faturação cresceu, mas a rentabilidade ficou abaixo do objetivo.»
A partir daqui, a narrativa desenvolve-se através de perguntas:
- O que explica o crescimento?
- Porque ficou a margem abaixo do esperado?
- Quais são as implicações para o negócio?
- Que decisões precisamos de considerar?
Cada conjunto de dados passa a ter uma função clara dentro da apresentação.
A audiência acompanha um raciocínio, em vez de receber uma sequência de indicadores sem uma ligação evidente.
E nem todas as narrativas precisam de terminar com uma recomendação. Num estudo, por exemplo, pode ser mais relevante apresentar conclusões, levantar questões ou identificar tendências que merecem investigação adicional.
4. Utilize o design para facilitar a compreensão
O design de informação é uma parte fundamental do Data Storytelling.
Um gráfico bem construído pode ajudar a identificar rapidamente uma tendência. Uma infografia pode tornar um processo complexo mais compreensível. Um mapa pode revelar diferenças geográficas que seriam difíceis de interpretar numa tabela.
Mas a escolha visual deve começar pela mensagem.
Se queremos comparar resultados, um gráfico de barras pode ser adequado. Se pretendemos mostrar uma evolução temporal, um gráfico de linhas poderá funcionar melhor. Se a audiência precisa de consultar valores exatos, uma tabela pode continuar a ser a solução mais eficaz.
A cor, a composição, a hierarquia visual e a animação também podem ajudar a orientar a atenção.
O importante é que todas estas decisões facilitem a interpretação sem comprometer o rigor da informação.
Uma boa visualização deve respeitar as escalas, as proporções, as fontes e o contexto dos dados apresentados.
5. Adapte a informação a quem está na sala
Os mesmos dados podem exigir abordagens muito diferentes consoante a audiência.
Uma equipa técnica pode precisar de analisar indicadores detalhados e compreender metodologias.
Um conselho de administração poderá estar mais interessado nas principais conclusões, nos riscos e nas decisões necessárias.
Numa conferência, a prioridade pode ser tornar os resultados de um estudo acessíveis a uma audiência com diferentes níveis de conhecimento sobre o tema.
Na Slide Lab, trabalhamos apresentações com uma forte componente de dados para organizações como a ANA Aeroportos, a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) e a Ayvens.
São projetos com contextos distintos.
No caso da ANA Aeroportos, os dados integram uma apresentação comercial e precisam de contribuir para a construção de um argumento relevante para a audiência.
Nos projetos relacionados com estudos, como os da FFMS e da Ayvens, o desafio passa por comunicar informação complexa de forma clara, mantendo o rigor das conclusões.
A nossa intervenção varia consoante as necessidades de cada projeto. Por vezes, trabalhamos mais profundamente a estrutura e a organização dos conteúdos. Noutras situações, o principal desafio está na forma de representar visualmente a informação.
Mas existe uma preocupação transversal: perceber porque estamos a mostrar aqueles dados e o que queremos que a audiência compreenda.
Como saber se está a comunicar bem os seus dados?
Antes de finalizar uma apresentação, vale a pena fazer cinco perguntas:
- Está claro porque é importante apresentar estes dados?
- A audiência consegue identificar as principais conclusões?
- A informação tem contexto suficiente para ser interpretada?
- Os gráficos e os elementos visuais ajudam a compreender a mensagem?
- A apresentação está adaptada às necessidades e ao conhecimento de quem a vai receber?
Se a resposta a alguma destas perguntas for negativa, provavelmente ainda existe trabalho de comunicação a fazer.
Transformar dados em conhecimento que pode ser utilizado
As organizações investem cada vez mais na recolha e análise de informação. Mas esse investimento ganha valor quando os resultados conseguem ser compreendidos e utilizados pelas pessoas a quem se destinam.
O Data Storytelling permite aproximar os dados das decisões, das estratégias e das pessoas.
Na Slide Lab, combinamos estratégia de comunicação, storytelling e design de informação para ajudar empresas e organizações a transformar dados complexos em apresentações claras, relevantes e visualmente eficazes.
Tem um estudo, relatório ou apresentação com muita informação para comunicar? Fale com a nossa equipa e descubra como podemos ajudar a transformar esses dados numa mensagem que faz sentido para a sua audiência.